ITAJAÍ: MAIS UMA VEZ…


Participa Itajaí 03

As eleições vieram, e passaram e, mais uma vez, Itajaí não elegeu sequer um representante, tanto em nível estadual, quanto em nível federal. O que significa isto?

A decepção se abateu, claramente, sobre os eleitores, que fizeram a sua parte, compareceram, e votaram. Este esforço, porém, foi inútil. Nossos votos caíram no vazio, não elegeram ninguém. A procuração que queríamos passar a um, pelo menos, de nossos candidatos, ficou estéril, sem função.

Passada essa lamentável situação, é hora de algumas considerações. E vou direto ao assunto. Atribuo a responsabilidade pelo fracasso eleitoral de nossos candidatos aos partidos políticos de onde eles provêm. Infelizmente, os partidos políticos são hoje estruturas sociologicamente mortas, não representam a ninguém, nem a nada, a não ser o pequeno grupo que deles faz parte, e que busca através dessas instituições moribundas, a satisfação de algum desejo escuso, privado e individual. Este é o quadro, que todos lamentamos, decepcionados, como torcedores em dia de derrota de seu time.

Assistimos à decadência dos partidos, vendo a inutilidade coletiva de seus objetivos, o distanciamento cada vez maior dos interesses da sociedade, o fracasso de suas lideranças. Por falar em liderança, salta a pergunta: liderança de quem? Liderança para onde? As respostas são simples e óbvias. Partidos não lideram mais, não têm propostas válidas, nem bandeiras que mereçam o nosso sacrifício de segui-las. São fantasmas, zumbis sem rumo.

A sociedade, a massa, precisa de líderes, precisa de bandeiras, precisa de propostas, precisa de organização. Este foi o papel atribuído, durante décadas, em todo o mundo, aos partidos políticos. O que têm feito eles? Sequer tentam organizar a sociedade em torno de bandeiras válidas e importantes.

Como Itajaí, com certeza, muitas outras cidades lamentam, frustradas, as derrotas de seus candidatos. Aqui nós deploramos a falta de responsabilidade das agremiações partidárias, que achacaram nossos votos, e que deveriam ter organizado nossa sociedade numa direção coletiva, orientando nossos votos para a vitória de, pelo menos, um, dos tantos candidatos indicados para o pleito. Mas, não. Ao invés disso, se voltaram para seus minúsculos interesses pessoais. Não pensaram no coletivo. Obviamente, isto seria exigir-lhes demais, já que este exercício lhes é muito penoso, senão impossível.

Os partidos políticos, que poluíram nossos ouvidos com tanto barulho, são instituições sem pés, nem cabeça. Possuem somente umbigos, para os quais vivem inclinados. Somente umbigos, grandes umbigos, nada mais.

O que uma Cidade inteira esperava, o que milhares de cidadãos/contribuintes/eleitores esperavam, era muito mais. Esperávamos que pessoas, que se aventuram a ocupar cargos públicos tão altos, tivessem um mínimo de sensibilidade moral, social e coletiva, que abandonassem, por um pequeno tempo, que fosse, suas pretensões pessoais, e que se unissem em torno dos interesses coletivos, esquecendo as malditas manipulações partidárias. Mais uma vez amargamos uma derrota coletiva. Mais uma vez a burrice imperou sobre a inteligência. Quem sabe, na próxima…

Jonas Tadeu Nunes

Observatório Social de Itajaí.

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POPULAÇÃO APÁTICA, CORRUPÇÃO EM ALTA!


Participa Itajaí 03

 

O fenômeno da apatia popular em relação à política não é um privilégio brasileiro. Em quase todo o mundo ocorre esse distanciamento da população, com poucos efeitos positivos para a vida em comunidade. Tanto aqui no Brasil, quanto na velha Europa, a apatia tem as mesmas feições.

A nossa apatia é facilmente perceptível, quando observamos a diminuição das formas tradicionais de participação política, como a militância partidária, por exemplo, ou o aumento dos votos nulos e brancos. Essa apatia, porém, tem desencadeado reações sociais, de certo modo, paradoxais. A descrença nos mecanismos políticos oficiais tem levado a população às ruas e tem intensificado a atuação de algumas minorias, hoje muito ativas, em detrimento das inexpressivas ou inexistentes atuações sociais e comunitárias dos partidos políticos.

Este fenômeno das sociedades modernas foi chamado por Habermas de “síndrome da pós-democracia”. Na década de 80, com o enfraquecimento do estado de bem-estar social, e o avanço neoliberal, em muitos países, ocorreu o aumento das abstenções nas eleições, principalmente por parte dos mais pobres, que foram perdendo as esperanças de ter alguma chance no mundo globalizado, de serem ouvidos, ou de influenciarem alguma política pública. A descrença e a impotência levam as pessoas à indiferença.

Indiferença e apatia andam juntas. A sensação de que nossa atuação como cidadãos pelos mecanismos democráticos tradicionais nada resolve, leva à destruição do sagrado princípio republicano do poder popular. É um sentimento extremamente negativo.

Esta percepção negativa nasce, principalmente, do distanciamento dos partidos políticos dos problemas reais da população, da série infindável de escândalos de corrupção, do noticiário negativo sobre a política, que vemos todos os dias.

Todo esse descontentamento e esta aparente abundância de reivindicações traduzem o imenso desejo que tem a sociedade por mais participação, e por uma democracia mais direta. Os que nos “representam”, já não nos representam. O que acontece, porém, é que as pessoas ficam indignadas, protestam, não encontram eco em suas reivindicações, ficam desapontadas e acabam dando as costas à verdadeira política. É o quadro.

Infelizmente, a tal governabilidade somente é obtida pelos piores meios: apadrinhamentos, favorecimentos, troca-troca. Os interesses da sociedade pouco importam, o que está acima de tudo e de todos são os interesses pessoais, privados e partidários. O resto… Nesse jogo de favores vêm as distribuições de cargos, os comissionamentos, e tudo mais.

Quem paga todo este jogo? Nós! Cada um de nós. Cada centavo desviado, perdido, ou mal aplicado, que passa diante de nossos narizes, sem que tomemos posição alguma, financia esse esquema. Nisso temos nossa parcela de culpa, pois a omissão é tão perniciosa, quanto a conduta comissiva.

Jonas Tadeu Nunes

Observatório Social de Itajaí