ELEIÇÕES…


De quem? Por quem? Para quem? Em meio a tanta perplexidade, uma das poucas certezas que temos é a de que estamos em meio a uma profunda crise de legitimidade das instituições, tidas como democráticas, e de um mal estar medonho em relação à democracia no país.

A falta de legitimidade invadiu as nossas instituições de representação. Parece que a coisa se esgotou, a descrença nesse tipo de representação é cada vez mais clara e maior, de modo muito especial com relação aos partidos políticos. A sociedade conservadora brasileira transformou os partidos em clubes privados, que funcionam à base de “serviços prestados” a determinadas clientelas e de outros esquemas de favorecimento.

Para quem já esqueceu, é bom lembrar que tudo começou, e piorou muito de lá para cá, com o famigerado “Pacote de Abril”, engendrado pelo General Golbery do Couto e Silva, que montou o sistema partidário em nosso país, em 1977, para que a ARENA pudesse continuar no comando. Este pacote fez a Justiça Eleitoral engolir um enorme entulho autoritário, e forçou os partidos políticos a fazerem coalizões para poder governar, ou seja, nenhum partido pôde mais, dali em diante, governar sozinho, todos foram obrigados a fazer as monstruosas e deformantes coligações partidárias, que acabaram por despersonalizar essas agremiações, lançando-as no descrédito em que hoje se encontram.

A crise de rejeição dos partidos arrastou este mal para o interior da própria democracia representativa. São poucos os que ainda se sentem representados pelo esquema que aí está. Partidos já não nos representam, nem, muito menos, governos. A crise de representação política está escancarada e visível na descrença e na desqualificação que a população, especialmente a mais jovens, devota hoje aos parlamentos e aos partidos. Há um desprezo generalizado por essas estruturas.

Apesar disto tudo, o importante é continuar trabalhando em prol da cidadania e da democracia. Estamos numa crise de passagem, e é preciso preencher os espaços vazios, que os partidos não mais conseguem ocupar. Que não se iludam os manipuladores, pois a sociedade civil sabe muito bem como preencher esses espaços. Até mesmo igrejas o estão fazendo, e a alta velocidade; basta ver o que vem acontecendo com a chamada “teologia da prosperidade” e com a invasão dos Legislativos por pastores e congregados.

Jonas Tadeu Nunes

Observatório Social de Itajaí

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